Rede pública produz 11 fitoterápicos com distribuição gratuita

Os medicamentos são usados para problemas como dores crônicas e distúrbios digestivos. O xarope à base de guaco, para tosse e afecções respiratórias, é o mais procurado

O farmacêutico Nilton Netto explica que a produção ocorre de forma racional, sem uso de agrotóxicos no cultivo das plantas -  (crédito: Beatriz Mascarenhas)

A Farmácia Viva da Secretária de Saúde (SES-DF) completa 30 anos. O programa é responsável pela produção, manipulação e oferta gratuita de fitoterápicos na rede pública. São duas unidades — Riacho Fundo I e Planaltina —, que produzem 11 fitoterápicos, a partir de sete matérias-primas — erva-baleeira, guaco, alecrim-pimenta, babosa, boldo, confrei e funcho. Os pacientes das unidades básicas de saúde (UBS) são contemplados com a orientação de profissionais como farmacêuticos, médicos e enfermeiros.

Segundo o farmacêutico e chefe da unidade do Riacho Fundo I, Nilton Netto, o objetivo é produzir os fitoterápicos de forma racional, em uma escala que atenda às necessidades dos usuários, em um curto espaço de tempo e sem a inclusão de agrotóxicos no cultivo. Os medicamentos são utilizados nas condições clínicas mais simples e comuns do dia a dia. Para muitos pacientes, é uma alternativa acessível e eficaz para o tratamento de vários problemas de saúde, como dores crônicas, afecções respiratórias e distúrbios digestivos. Além de promoverem a biodiversidade e o conhecimento tradicional, os fitoterápicos tendem a ter menos efeitos colaterais em comparação com os medicamentos sintéticos.

Por dez anos, apenas chás medicinais eram produzidos pelas farmácias vivas do DF. Isso mudou com o início da produção do xarope de guaco, o mais procurado pelos pacientes para tratamento de tosse e problemas respiratórios. Edivania Cardoso, 36 anos, faz uso para os filhos, como expectorante, e é orientada na UBS 1 do Riacho Fundo 1. “Toda vez que venho, peço para eles me passarem o guaco. Usava um anti-histamínico para eles e troquei. Em dois dias, já faz efeito.”, afirma. Desde que começou com o medicamento, há 2 anos, Edivania dá preferência aos fitoterápicos para os filhos, em casos de menor complicação, uma vez que percebeu sua eficácia.

A moradora da cidade Carolina Pereira, 30, administra o xarope de guaco para as três filhas, também com indicação da UBS 1. “Eles facilitam a distribuição para a gente. Logo depois da consulta, já prescrevem e dão o medicamento”, elogia.

Produção é realizadas pelas unidades do Riacho Fundo 1 e de Planaltina

  • Produção é realizadas pelas unidades do Riacho Fundo 1 e de Planaltina.Na Farmácia Viva é onde ocorre a manipulação das plantas para chegar nos produtos finais, a exemplo do xarope de guaco

Qualidade

No Núcleo de Farmácia Viva da região, o desafio é transformar o guaco — planta originária da Mata Atlântica — em produto final, que é o medicamento. Nilton Netto explica que o começo de tudo é a planta. “Primeiro, é colhida e selecionada a parte de uso, que é a folha. Secando a folha, ela se torna pó, e é colocada no aparelho que faz a extração, e disso se faz o xarope”, detalha. A quantidade que se usa do guaco é alta. Por isso, boa parte da matéria-prima é cultivada na Fazenda Modelo do Complexo Penitenciário da Papuda, pertencente à Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap).

No local, são produzidas três das sete espécies de maior demanda: o guaco, a erva-baleeira e o alecrim-pimenta, porque o solo da região é mais rico. Na área, também está sendo testada a produção do açafrão-da-terra, que faz parte do futuro projeto de inclusão de um novo medicamento no Farmácia Viva. “O açafrão tem uma ação altamente anti-inflamatória, em seu uso oral. O teste é para verificar o rendimento e, assim, poder se pensar em um projeto, a fim de que, nos próximos dois anos, ele seja incluído na produção e se torne um medicamento”, antecipa Nilton.Playvolume

O guaco cultivado nas unidades da SES-DF se destaca pela qualidade, pois a espécie plantada é superior à comumente utilizada pela indústria. “Trabalhamos com a Mikania laevigata, que estudos demonstram ser sete vezes superior à Mikania glomerata”, ressalta a farmacêutica chefe da Farmácia Viva de Planaltina, Isabele de Aguiar.

Lá, a produção do guaco é feita em parceria com pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que auxiliam nos cuidados diários ou na triagem das plantas medicinais. Parte do cultivo também é realizado por alunos do Instituto Federal de Brasília (IFB) do câmpus de Planaltina.

Populares

Além do guaco, a tintura de alecrim-pimenta tem alta adesão, por seus efeitos antissépticos. A planta tem na folha uma molécula com ação antibiótica e é utilizada no tratamento de dores de garganta.

Outros exemplos são o funcho, que age contra a má digestão, é antiespasmódico e alivia cólicas, e o gel de erva-baleeira que, de acordo com Nilton Netto, tem efeito anti-inflamatório. “A utilização dele é tópica, com massagens no processo inflamatório do músculo e tendão. E auxilia no tratamento de tendinite e de dores musculares crônicas.”, complementa o farmacêutico.

Os fitoterápicos podem ser retirados nas farmácias das unidades básicas de saúde, mediante apresentação de prescrição, em duas vias, e documento de identidade.

Fitoterápicos disponíveis

» Xarope de guaco (Mikania laevigata)
» Tintura de guaco (Mikania laevigata)
» Chá medicinal de guaco (Mikania laevigata)
» Chá medicinal de colônia (Alpinia zerumbet)
» Tintura de boldo nacional (Plectranthus barbatus)
» Tintura de funcho (Foeniculum vulgare)
» Gel de erva-baleeira (Cordia verbenacea)
» Gel de confrei (Symphytum officinale)
» Gel de babosa (Aloe vera)
» Gel de alecrim-pimenta (Lippia sidoides)
» Tintura de alecrim-pimenta (Lippia sidoides)

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fonte:

Correio Brasiliense

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