Cunha está prestes a se salvar na Câmara e já é visto como útil para Temer
Antes da votação de domingo (17) sobre a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) era potencialmente visto como nocivo a um futuro Governo Michel Temer. Ele que enfrenta processo por quebra de decoro no Conselho de Ética, seria jogado à própria sorte. Porém, segundo informações do El País, com o recebimento do impeachment pela Câmara, o peemedebista parece ter ganhado força e, um aliado de do vice no parlamento afirmou ao periódico que Cunha poderia ser útil ao cada vez mais provável novo Governo.
Mesmo sob forte impopularidade de Cunha pelas ruas do Brasil, 77% da população gostariam de vê-lo cassado, não se pode negar a satisfação dos deputados com sua presidência, já que, desde que foi eleito para o cargo, a Câmara foi elevada a uma posição de protagonismo em Brasília.
O deputado Darcísio Perondi (RS) foi um dos líderes do Comitê do Impeachment. Ele reconhece que Cunha tem problemas, porém afirma que eles estão sendo tratados no âmbito do Conselho de Ética da Câmara. Perondi nega qualquer possibilidade de fechar um acordo para salvar o mandato do presidente da Câmara. É o mesmo que diz o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). “Para continuar na presidência, ele [Cunha} tem de permitir ser investigado e afastar qualquer dúvida com relação à conduta que teve. Ninguém conversou comigo sobre anistia e essa possibilidade não existe”, garantiu.
No Conselho de Ética, a situação parece continuar melhorando para o peemedebista. Depois de mais um membro do Conselho ter sido trocado, Fausto Pinato (PP-SP), que havia votado contra Cunha, deu lugar a Tia Eron (PRB-BA), potencial aliada, sua defesa ganhou mais uma ajuda nesta segunda-feira (18).
O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), decidiu que a investigação sobre Cunha deve se restringir ao motivo que levou à abertura do processo: a denúncia de que o presidente da Câmara mentiu à CPI da Petrobras ao dizer que não tinha contas bancárias na Suíça. Os críticos de Cunha no Conselho queriam investigá-lo pelo recebimento de vantagens indevidas, mas Maranhão acatou pedido de Carlos Marun (PMDB-MS) para limitar o escopo.
A cada nova postergação no Conselho de Ética, surge uma questão: como está pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF para afastar Cunha do cargo?
Na terça-feira (19), o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato e responsável por analisar o pedido de Janot, afirma que ainda está examinando a solicitação. Se não surgirem novidades nesses processos ou na atuação da Polícia Federal na Lava Jato, Cunha parece ter conseguido criar um caminho em direção a sua conclusão de mandato como presidente da Câmara até fevereiro de 2017.

