Ribamar de Oxósse faz 37 anos de Santo e pede mais espaço e respeito

Quando falamos em uma sociedade mais justa e igualitária, quando falamos em democracia, não temos como ignorar o livre exercício de crença de cada cidadão. A intolerância religiosa não é algo que atinge apenas uma religião, isso é fato. O sacerdote Ribamar Veleda, filho de Oxósse e um dos religiosos mais antigos e respeitados do Centro-Oeste, acha possível mudar está triste realidade.
Pai Ribamar ainda lembra que nenhuma outra orientação religiosa foi tão massiva e historicamente perseguida como as denominadas Afro-brasileiras, entre elas, umbanda e candomblé. Ele fala com experiência. No próximo dia 27 de setembro completa 37 anos de Santo. A data é especial.
Na caminhada de muitos anos de alguns religiosos, a luta pela liberdade de crença e o fim dos preconceitos são bandeiras inegociáveis. “A união, informação e respeito são fundamentais para assegurar os direitos estabelecidos na Constituição Federal.
Ribamar Veleda faz questão de ressaltar a importância da união nacional para garantir direitos iguais a todos. “Não existe espaço para a discriminação religiosa no Brasil e, sobretudo em Goiás”, destaca. “Hoje em atos governamentais ainda é possivel ver essa discriminação histórica. Tem pastores, padres, a marçons. Só não tem o povo dos terreiros”, protesta.
Mossoró
O Pai de Santo, na defesa dos seus irmãos, deve entregar ao prefeito de Valparaíso de Goiás, Pábio Mossoró, uma carta contendo algumas reivindicações das religiões de Matrizes Africanas. Eles querem mais espaço e respeito em atos oficiais.
Só que Ribamar de Oxósse não é um homem de ficar quieto. Ele é atento e respeitador. “Todos temos os mesmos direitos. Não pode haver espaço para privilegiados. Direitos iguais”, ensina ele, que é professor de história. “Um palanque precisa representar a todos.
“Ninguém precisa concordar. Basta respeitar”, lembra Pai Ribamar de Oxósse.
História
De família ligada ao Candomblé, Ribamar fez Santo em 1984, quando tinha apenas 17 anos de idade, e inaugurou na cidade de Novo Gama o seu primeiro terreiro. Hoje comanda uma casa famosa no Céu Azul repleta de apaixonados pelos Orixás.
O líder religioso comanda o mais antigo terreiro do Entorno. O centro Religioso O Ilê Asé Odé Onisegun funciona no Céu Azul e reuni diversos filhos e netos de Santo.
Jantar
Na noite de 27 de setembro O Ilê Asé Odé Onisegun será palco de um jantar especial. “Em função da pandemia, apenas uma cerimonia fechada e para convidados testados”, esclarece Ribamar.
