Veja quem é Hermeto, alvo de buscas em ação contra desvios na Educação
Veja os alvos da operação que mira desvio de R$ 50 milhões na Educação. No centro da investigação está a locação de um imóvel privado localizado no Setor de Motéis da Candangolândia

Alvo de buscas em uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (12/3), João Hermeto de Oliveira Neto, de 61 anos, é deputado distrital desde 2019.
Nascido no Ceará, veio cedo para o Distrito Federal. Foi policial militar por mais de 30 anos.


Operação Blackboard
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação do Distrito Federal.
A locação de uma escola da rede pública de ensino no Setor de Motéis motivou a investigação. Mais de R$ 46 milhões teriam sido desviados, segundo a investigação.
Ao todo foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, Goiás, e Tocantins.
Segundo o Gaeco, o imóvel teria sido supostamente alugado por meio de dispensa ilegal de licitação e superfaturamento do contrato. O aluguel do imóvel teria ocorrido porque a unidade de ensino onde os alunos estudavam estaria em condições precárias e foi fechada para reforma.
De acordo com o MPDFT, parte expressiva dos recursos supostamente desviados para a locação do novo imóvel por valor superior a reforma da escola original seria proveniente de emendas parlamentares de Hermeto.
A Candangolândia, região administrativa onde estão os imóveis, é base eleitoral de Hermeto, onde o parlamentar já foi administrador regional.

De acordo com o MPDFT, parte expressiva dos recursos supostamente desviados é proveniente de emendas parlamentares destinadas irregularmente por agente detentor de prerrogativa de foro.
Mais detalhes sobre Hermeto:
- Na Polícia Militar, chegou à patente de subtenente e tornou-se o primeiro policial militar a sair da tropa para assumir uma cadeira de deputado distrital.
- Natural do Ceará, Hermeto mudou-se ainda criança para Brasília, onde passou a viver no Núcleo Bandeirante.
- Antes de ingressar na vida parlamentar, também foi administrador regional da Candangolândia.
- Em 2018, foi eleito deputado distrital com 11.552 votos.
- No início do mandato, destacou-se pela atuação na defesa da segurança pública e das comunidades, sendo apontado como o terceiro político mais influente nas redes sociais nos primeiros meses de atividade parlamentar.
Operação
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Delegacia de Repressão à Corrupção (Decor), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Equipes cumprem mandados de busca e apreensão na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na sede da Secretaria de Educação e na residência do parlamentar.
A operação também realiza buscas na casa de um empresário em São Paulo.
A ação apura crimes praticados contra a educação do Distrito Federal, entre os quais corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As medidas cautelares foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), em razão da prerrogativa de foro de um dos investigados.
Veja os alvos da operação que mira desvio de R$ 50 milhões na Educação
No centro da investigação está a locação de um imóvel privado localizado no Setor de Motéis da Candangolândia

| ouvir notícia |
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13/3), a Operação Blackboard, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos da Secretaria de Educação do DF que pode chegar a quase R$ 50 milhões.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Vice Procuradoria-geral de Justiça. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, Goiás e Tocantins.
Leia também
A investigação apura corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Play Video
As medidas foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por causa do foro privilegiado de um dos investigados.
Segundo o MPDFT, o esquema teria sido estruturado dentro da própria Secretaria de Educação e envolvido agentes públicos, empresários e operadores políticos.
Área de motéis
No centro da investigação está a locação de um imóvel privado localizado no Setor de Motéis da Candangolândia, que passou a abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) e a sede da Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante.
Imagens:
De acordo com o Ministério Público, a mudança foi justificada por uma alegação falsa de que o prédio público original estaria condenado à demolição.
O processo foi iniciado por Ana Maria Alves da Silva, então coordenadora regional de ensino do Núcleo Bandeirante. Segundo o MP, ela abriu o procedimento administrativo afirmando que o prédio público estava em condições precárias, sem apresentar qualquer laudo técnico que comprovasse a situação.
Ainda de acordo com o MP, outros servidores da Secretaria de Educação teriam endossado a justificativa e dado continuidade ao processo, que terminou com a locação do imóvel privado.
A irregularidade ficou evidente anos depois, segundo os promotores. Em 2025, o próprio prédio público apontado como inutilizável se tornou alvo de um contrato de reforma de cerca de R$ 12 milhões.
Enquanto isso, o governo já havia desembolsado mais de R$ 19 milhões em aluguéis pelo imóvel alugado. Empresário assinou contrato sem ser dono do imóvel
O imóvel alugado pela Secretaria de Educação pertence à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda., que também administra o A2 Motel.
O sócio-administrador é Carlos Eduardo Coelho Ferreira, residente em São Paulo. Segundo as investigações, ele seria beneficiário direto do esquema.
O ponto considerado mais grave pelos investigadores é que, no momento da assinatura do contrato, Carlos Eduardo ainda não era proprietário do imóvel.
De acordo com o MPDFT, ele teria financiado a aquisição do prédio com os próprios recursos provenientes do aluguel pago pelo governo. Na prática, o dinheiro público teria bancado a compra do imóvel que o Estado estava alugando.
Ex-secretário autorizou contrato
Entre os investigados está o ex-secretário de Educação do DF, João Pedro Ferraz dos Passos. Segundo o Gaeco, caberia a ele, no topo da hierarquia da secretaria, autorizar a dispensa de licitação e ratificar a assinatura do contrato de aluguel considerado irregular.
Outros servidores da pasta também são investigados, incluindo subsecretários, integrantes da comissão responsável pela locação e servidores encarregados da gestão e fiscalização do contrato.
O MPDFT afirma que não há indícios de participação da atual secretária de Educação no esquema.
Deputado teria articulado contrato
A investigação também aponta a participação do deputado distrital Hermeto Oliveira Neto.
Segundo o Ministério Público, o parlamentar teria intermediado o contato entre o empresário e o então secretário de Educação para garantir a assinatura do contrato de locação.
De acordo com os promotores, Hermeto também teria exercido influência política para que o processo administrativo avançasse mesmo diante de irregularidades.
Emendas e irregularidades em associação
A investigação aponta ainda que o deputado teria direcionado emendas parlamentares milionárias por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) para a Associação de Apoio à DRE do Núcleo Bandeirante, entidade ligada à investigada Ana Maria Alves.
Ao todo, a associação recebeu mais de R$ 27 milhões em recursos públicos destinados à melhoria das escolas da rede.
Segundo o MPDFT, a análise das prestações de contas revelou diversas irregularidades, entre elas, notas fiscais suspeitas ou possivelmente fraudadas, orçamentos apresentados por empresas sem atividade compatível e indícios de superfaturamento em serviços contratados
Investigação interestadual
A Operação Blackboard foi realizada em parceria com a Delegacia de Combate à Corrupção (Decor) da Polícia Civil do DF.
A ação também contou com apoio dos Gaecos dos Ministérios Públicos de Goiás, Tocantins e São Paulo, já que parte dos investigados possui ligação com esses estados.
O nome da operação faz referência à palavra inglesa “blackboard” (quadro-negro), em alusão direta ao desvio de recursos públicos destinados à educação.
Outro lado
O Metrópoles tenta contato com o deputado Hermeto. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.
Em nota, a Secretaria de Educação informa que “permanece integralmente à disposição das autoridades competentes, colocando-se pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários”.
“O processo tramita sob regime de sigilo, em observância às normas legais aplicáveis e à necessidade de preservação da integridade das apurações em curso”, acrescentou.
Siga ODEMOCRATA no Instagram/Facebook nos links www.instagram.com/odemocrata____https://www.facebook.com/portalodemocrata
📰 Confira as principais notícias do Distrito Federal, Goiás e do entorno de Brasília, além dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo 🌎 , com destaque especial para conteúdos regionais 📍 e informações de utilidade pública que impactam o seu dia a dia.
✔️ ANUNCIE CONOSCO
✅ WhatsApp 📱(61)99414-6986
PORTAL DE NOTÍCIAS 📲 ODEMOCRATA
🌎 SEMPRE CONECTADO COM VOÇÊ 🖥️
