Desemprego baixa no DF, mas as mulheres ainda são as mais prejudicadas

No período em que 18 mil brasilienses entraram no mercado de trabalho, mulheres se mantiveram como mais da metade dos 320 mil desempregados do Distrito Federal. Mesmo sendo maioria da população em idade ativa, elas tiveram novo aumento na taxa de desemprego, que passou de 21,5% em maio de 2017 para 21,8% no mesmo mês deste ano. O dado foi apresentado na Pesquisa de Emprego e Desemprego divulgada ontem pela Companhia de Planejamento (Codeplan).
No conjunto, a taxa de desemprego total no Distrito Federal, em maio, caiu quando comparada ao mesmo mês de 2017. O índice passou de 20,4% para 19,5%. Esses percentuais representam a entrada de mais 18 mil pessoas no mercado de trabalho, mas ainda há 320 mil brasilienses desempregados.
Três meses amargos
Na ponta do lápis, há 174 mil mulheres sem emprego na capital Federal. Elas amargam o aumento nos índices de desemprego há três meses consecutivos. Os homens, por outro lado, conseguiram postos de trabalho e reduziram em quase dois pontos percentuais a taxa da falta de emprego. No mesmo período, o decréscimo foi de 19,4% para os atuais 17,2%. Nos dois últimos meses de 2018, o índice manteve estabilidade.
Diretora de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan, Ana Maria Nogales diz que mulheres geralmente estão em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho. “Muitas estão em busca de uma posição e não a encontram porque muitas vezes os empregadores ainda têm preferência de um trabalhador do sexo masculino, mesmo que ela tenha maior qualificação ou escolaridade”, afirma.
Lista de demitidas
Maria das Neves de Oliveira está entre as várias auxiliares de limpeza demitidas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, quase duas semana atrás. Maria conta que o principal problema que enfrentará a partir de agora é a idade: com 55 anos, será mais difícil ser contratada. “Estou perto de aposentar. Isso atrapalha a arranjar um novo emprego. Vão preferir uma moça com 30 anos.”
Minervina Ferreira, 53, e Aparecida Soares, 56, também são auxiliares de limpeza e passam pela mesma situação. As duas, com Maria das Neves, foram à Câmara Legislativa, ontem (26), para protestar contra as demissões. Minervina diz, inclusive, que é mãe solteira e o emprego dela é essencial para manter a casa. “Moro com minha filha. Ela conseguiu emprego há pouco tempo, mas sou eu quem trabalho para levar as coisas para casa.” Se não conseguir emprego logo, já pensa em outra solução: “Vou ter que arranjar alguma coisa para vender.”
Aparecida também compartilha da preocupação das colegas. Ela diz que terá que recorrer a experiências anteriores de trabalho para tentar um emprego. “Já trabalhei como varredora de rua. Se precisar eu volto.”
Comércio retoma a onda de demissões
Entre abril e maio, cinco mil pessoas ficaram desempregadas. No período, a taxa total de desemprego passou de 19,2% para 19,5%. O índice foi puxado pelo Comércio, que demitiu sete mil pessoas.
“Não tivemos a recuperação que esperávamos. Pelo contrário, houve desaceleração do comércio”, opina Ana Maria Nogales, da Codeplan. A greve dos caminhoneiros deve continuar freando a área neste mês.
Por outro lado, os setores de Construção e Serviços admitiram, juntos, mais de 9 mil novos funcionários. “Tivemos retomada da Construção. Ainda que de forma lenta, há uma perspectiva. Temos abertura de crédito, mas ainda muito lento. Não é como no passado, quando foi impulsionado por vários programas sociais”, avalia a diretora da Codeplan.
Seis mil assalariados deixaram de ter carteira assinada em maio e três mil passaram a trabalhar sem a documentação. Nesse ínterim, o número de autônomos e de empregados domésticos continuou a progredir 1,6% e 6,3%, respectivamente.
Saiba Mais
A Pesquisa de Emprego e Desemprego indica que a busca pelo primeiro emprego é mais complicada do que a recolocação no mercado.
A taxa de desemprego para quem teve trabalho anterior passou de 19% para 17,2%. Inversamente, para os que tentavam se inserir no mercado, a taxa subiu de 25,1% a 28,5%.
Para estudiosos da Codeplan, isso comprovaria que o mercado está em busca de quem tem experiência.
Ao mesmo tempo, alerta para a necessidade de políticas públicas que insiram os jovens no mercado de trabalho.
Ana Maria Nogales acredita que a mulher pode selecionar mais as ofertas de emprego para que seja possível conciliar a dupla jornada que ainda recai sobre ela no ambiente doméstico.
